Guest Post: A Arte da Caligrafia Chinesa

This is a guest post in Portuguese by Christine Marote, a Brazilian expatriate residing in China. In this post she gives us a very interesting insight about the Chinese characters, the history behind them and the intricate and beautiful Chinese calligraphy.

Caligrafia é uma arte em qualquer lugar do mundo. Todos gostamos de ver uma letra bonita, que está cada vez mais rara com o advento do computador. Quantos de nós não fizemos folhas e folhas daquele famigerado caderno de caligrafia na escola. E para meu espanto, tem muitas escolas adotando novamente esse recurso para tentar preservar essa ‘arte’.

Se para nós, ocidentais, que temos um acordo gráfico de se usar 26 letras para representar nossa escrita, isso já tem uma importância enorme, imaginem para um povo onde ao invés de letras, eles usam desenhos para se comunicar graficamente? Sim, porque a China, e alguns países da Ásia, não possuem alfabeto, mas desenhos que representam as palavras. Mas a China possui uma das mais antigas formas de linguagem escrita do mundo, datada de 6 mil anos atrás. Essa escrita começou através de marcas no barro, nos ossos, em conchas ou até cascos de tartaruga. Depois chegou ao bronze e à pedra. Ela foi se desenvolvendo e ficando mais complicada, com diferentes tamanhos e a mesma palavra podia contar com vários ‘desenhos’ diferentes.
Isso porque o rapaz que inventou, ou melhor, teve a ideia de representar o que via através de uma grafia, chamava-se Cang Jie, e ficou observando os animais e as marcas que eles deixavam no solo. Daí ele achou que se representassem os três ‘risquinhos’ que eram as marcas deixadas pelo animal, todos saberiam do que ele estava falando. Mas isso é uma lenda, apesar de fazer sentido…

Até que por volta do ano 200 A.C., um Imperador, conhecido como primeiro imperador, resolveu organizar a bagunça e fez algumas regras para que todos usassem o mesmo símbolo para cada palavra. Qin Shihuang também foi responsável pela unificação da China. E junto à invenção do papel, o instrumento mais usado para fazer esses ‘desenhos’ era o pincel. Mas através dos séculos muita coisa aconteceu com a escrita chinesa. E em 1956, com a entrada do regime comunista, muitos caracteres foram simplificados, reduzindo a dificuldade de reproduzir esses desenhos.
A língua chinesa possui mais de 10 mil caracteres (ai meu Deus, comparado com nosso pobre alfabeto de 26 unidades), mas se você souber 3 mil, já é capaz de ler um jornal… Que alivio né?

Como vocês já devem ter notado sou uma curiosa de carteirinha, e desde que descobri que alguns caracteres eram formados através de desenhos que remetem à forma da palavra que está sendo grafada e ainda, que a junção de alguns desses desenhos gera outro caractere que significa outra palavra, fiquei enlouquecida para saber mais sobre essa arte tanto gráfica, como da criatividade humana em se apropriar do que a natureza lhe oferece. Mas para meu desespero, não encontro uma só escola, um só curso que queira me mostrar esses caracteres, me ensinar a escrevê-los ou desenhá-los, só porque eu não sei falar mandarim. Tento explicar que eu não quero falar mandarim, eu quero saciar minha curiosidade, aprender algo que acho superinteressante e talvez até me estimule a aprender o mandarim. Porque, para quem conhece Pavlov, vai entender que só funciono com estímulo. Sem a campainha, o choque, ou seja, qual for o recurso, eu não saio do lugar! =]

Aí comecei a procurar nas livrarias, nas bancas, na internet, em algum lugar que pudesse me dar esperança de achar esse caminho, lá estava eu. Já comprei um monte de livros, mas nenhum saciou a minha curiosidade de verdade. Até que há um mês, descobri um livro para crianças (tão simples), mas não didático. Livro do jeito de paradidático, lindo de se ver e tocar. E é com ele que tenho tentado aprender um pouco sobre a escrita chinesa, já que a língua, aqui entre nós, me põe louca. E aos poucos vou tentando dividir com vocês o que aprendi sobre essa curiosa e bela forma de escrever.
Aqui segue a página (fotografada) do livro ‘My first book of Chinese Calligraphy’, de He Zhihong e Guillaume Olive, as ilustrações são de He Zhihong (que estão nesse post, inclusive).

Zài Jiàn!

About the Author:

After Christine Marote spent 4 years traveling between Brazil and China (Chang Chun, Jilin Province), Christine decided to move to Shanghai in January of 2009. In 2010 she decided to create a blog and share her experiences as a Brazilian expat living in China, and soon her blog became a source of information for foreigners and expats like her that have decided to live in China.
Her blog ‘China na Minha Vida’ describes Christine’s experiences, language challenges, cultural differences and curiosities, and the rich and diverse culture of China in an interesting way.

Christine is Brazilian, holds a degree in Education, and a Masters in Chinese Business and Culture from Jiaotong University.